segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Pensamentos, Palavras e Obras - segundo caderno da Cidade Universitária - parte 1

Quando a cidade Universitária completa 55 anos, a partir de hoje publicarei periodicamente trechos do livro PENSAMENTOS, PALAVRAS E OBRAS - segundo caderno - da Cidade Universitária.
O primeiro caderno tratou da fundação da Faculdade Catarinense de Filosofia.

Pensamentos,

palavras

e obras






Segundo caderno
Da Cidade Universitária










Edição do Autor
Florianópolis - Estado de Santa Catarina
Avenida Trompowsky, 14

1962

Veni, Creator Spiritus!
7-11-61.


No Primeiro Caderno destes meus PENSAMENTOS, PALAVRAS E OBRAS, foi matéria principal a Faculdade de Filosofia e acessória Cidade Universitária.
Trocam-se agora as situações.
A Cidade Universitária é uma realidade e, em seu recinto, acolhe a Faculdade de Filosofia. Semelhantemente, neste Caderno, é a Cidade Universitária a dominadora, passando para segundo plano a Faculdade de Filosofia.

***

Repito aqui a explicação que abriu o Primeiro Caderno.

***

Era propósito meu formar-me em engenharia, porque, entre outras razões, se me afigurava profissão em que ficaria livre de fazer discursos.
Consegui matricular-me na Escola Politécnica, do Rio de Janeiro, em 1908; mas, por cansaço, interrompi os estudos, diplomando-me, afinal, quase vinte anos depois, em direito.
Ora, apesar da nenhuma inclinação para a oratória, correu-me, várias vezes, a obrigação de falar em público e nunca fugi ao dever; mas sempre tive a precaução de escrever as palavras que me cumpria dizer, dando-lhes ainda a possível concisão, para abreviar o meu constrangimento.
Uma vantagem daí me resultou: deixar fixados, pela escrita, os meus ideais e as minhas ideias, tais quais eram nas várias situações da minha labuta.
Essas alocuções, oriundas todas de mandados de ofício, de cooperação ou de cortesia, pretendo reuni-las para publicação em cadernos, anexando-lhes outros escritos, que as completem, e informações, que as esclareçam, tudo subordinado ao título de PENSAMENTOS, PALAVRAS E OBRAS.
É título que encerra termos de prece que venho rezando desde a meninice e que peço a Deus me conceda rezar na hora extrema: "Eu, pecador, me confesso... porque pequei muitas vezes por pensamentos, palavras e obras".
Poder-se-á, por isso, arguir, e com razão, estar eu a publicar exatamente aquilo em que não me julgo pecador. É verdade. Mas verdade é também, e raro não é, atribuir-se a um o que é de outrem, dando-lhe pensamentos que nunca lhe passaram pela cabeça, palavras que nunca proferiu e obras de que não foi operário.
Não será, portanto, censurável a um militante da vida social reunir e, para seu julgamento, apresentar pensamentos, palavras e obras, de que se considera responsável e em que, certamente, também há de ter pecado, porquanto, até do homem santo diz o Eclesiastes, desenganadoramente: "Não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e que não peque".

Henrique da Silva Fontes

A CIDADE UNIVERSITÁRIA E O AUXÍLIO FEDERAL

O Primeiro Caderno, acabado de compor a 22 de dezembro de 1960, terminou com o cabograma que, por causa do auxílio consignado no orçamento federal para a Cidade Universitária, dirigi, a 12 do mesmo mês e ano, ao Senhor Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, cabograma que mereceu atenção de Sua Excelência e assim redigido:

"Respeitosamente peço Vossa Excelência liberação vinte milhões cruzeiros orçamento atribui Cidade Universitária de Santa Catarina. Requerimento já apresentado Ministério Educação. Auxílio anterior possibilitou construir parte edifício Faculdade Filosofia que nele proximamente se instalará. Novo auxílio continuará mesmo edifício cujos alicerces estão lançados permitindo acomodação provisória Reitoria Universidade Catarinense por Vossa Excelência promovida. Discípulo otimismo Vossa Excelência, embora quase octogenário darei a trabalhos, se Deus quiser, ritmo Brasília. Respeitosamente, Henrique da Silva Fontes, encarregado estadual estudos Universidade".

Em resposta, recebi o telegrama seguinte, datado de 16 de dezembro e assinado pelo Sr.  Oswaldo Maia Penido, Chefe do Gabinete Civil da Presidência da República:

"Senhor Presidente da República recebeu seu telegrama de 12 de dezembro corrente, a respeito Cidade Universitária de Santa Catarina e incumbiu-me comunicar que assunto foi encaminhado ao órgão competente da administração para ser devidamente apreciado. Saudações cordiais".

Pois bem. Nos últimos dias do ano, foi autorizado o pagamento do auxílio, reduzido, porém, a metade, ou seja a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), em todo caso auxilio substancial.
O recebimento imediato dessa quantia deu lugar à intensificação das obras da Faculdade de Filosofia, passando-se a trabalhar também em horário noturno, no prometido ritmo de Brasília.
Destarte, a 21 de janeiro de 1961, encorajei-me a endereçar ao Senhor Governador do Estado a carta que segue.

"Ilustre Governador e meu eminente Amigo Senhor Heriberto Hülse,

Se Deus quiser, a 30 do corrente o edifício da Faculdade de Filosofia estará em condições de ser entregue à sua beneficiaria, com ele se inaugurando efetivamente a Cidade Universitária, que será uma das glórias do seu Governo, talvez a maior.
Acredito que o ilustre Governador queira dar ao ato a merecida solenidade e, por isso, tomo a liberdade de anexar uma sugestão de programa.
Tomo também a liberdade de lembrar a conveniência de dar nomes às duas Avenidas da Cidade. Se me fosse pedida opinião, eu a daria no sentido de escolher nomes que, desprovidos do cunho de homenagens a pessoas, assegurassem veneração e perenidade: a via principal seria "Avenida Santíssima Trindade", nome augustíssimo derivado da invocação religiosa e designação civil da circunscrição em que se desenvolve a Cidade; a via secundária seria "Avenida Brasil", em homenagem à grande Pátria.
Desculpe-me, Senhor Governador, estas minhas ousadias, filhas do meu amor à nossa Terra e do meu desejo do bom nome do seu Governo.

Muito cordial e respeitosamente,

Henrique da Silva Fontes".

Sugestão de programa

Dia 30 de janeiro de 1961, às 17 horas
1. Solene hasteamento da Bandeira Nacional e da Bandeira do Estado.
2. Discurso do Senhor Governador junto ao monumento comemorativo da inauguração da Cidade Universitária.
3. Discurso de um estudante universitário.
4. Benzimento, pelo Senhor Arcebispo Metropolitano, do prédio destinado à Faculdade de Filosofia.
5. Entrega do prédio ao Diretor da Faculdade de Filosofia pelo Senhor Governador.
6. Agradecimento do Diretor da Faculdade, que convidará o Senhor Governador, as autoridades e assistência para a inauguração, no gabinete da Diretoria, dos retratos do Senhor Presidente da República e do Senhor Governador.
7. Lançamento da pedra fundamental do prédio da Faculdade de Engenharia.
8. Arreamento das Bandeiras, com as devidas formalidades.