domingo, 22 de agosto de 2010

Dilma infla números sobre habitação do governo Lula - FOLHA DE SÃO PAULO

O pior mote de campanha é chamar um candidato de MENTIROSO, as verdades tem que ser ditas e a Sra. Dilma deve ser chamada de MENTIROSA!

21/08/2010 - 08h34

Dilma infla números sobre habitação do governo Lula

GUSTAVO PATU
DE BRASÍLIA
A propaganda da petista Dilma Rousseff inflou números para anunciar o aumento dos investimentos em habitação no governo Lula, uma das bandeiras da campanha.
"Durante o governo Lula, os investimentos em habitação no Brasil saltaram de R$ 7,9 bilhões para quase R$ 70 bilhões", afirma uma repórter em programa de rádio da candidata ao falar sobre as obras de infraestrutura, das quais Dilma se apresenta como a gerente.
Uma consulta ao sistema de acompanhamento dos gastos da União mostrará, porém, valores muito menos emocionantes: de 2003 a 2009, período a que se referiu o programa, os investimentos federais no setor passaram de R$ 33 milhões para R$ 506 milhões --menos de um centésimo das cifras citadas no horário eleitoral.
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O texto petista não fala apenas, é verdade, em investimentos com dinheiro dos cofres do Tesouro Nacional. Mas o valor mencionado é produzido a partir de um coquetel de recursos de diferentes fontes, naturezas e critérios de apuração, grande parte deles sem relação com investimentos.
Segundo o Ministério das Cidades, responsável pelo dado, quase metade do montante citado na propaganda ou R$ 33 bilhões se refere a empréstimos bancários com recursos da caderneta de poupança, em geral voltados para as classes média e alta.
Desses financiamentos, R$ 14 bilhões foram direcionados à mera compra de imóveis usados, assim como cerca de R$ 8 bilhões em recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
O mundo político costuma chamar gasto de investimento, termo que sugere algum retorno no futuro. Investimento, no entanto, é uma modalidade específica de gasto: são obras e compras de equipamentos destinados a ampliar a capacidade produtiva da economia.
Até o ano passado, documentos do Ministério da Cidades contabilizavam separadamente os recursos para a habitação de fontes federais e os financiamentos com recursos da poupança.
A conta de Dilma inclui R$ 17 bilhões em contratos, não desembolsos, do programa Minha Casa, Minha Vida, lançado no ano passado.